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27 de jan de 2017

A Literatura Como Direito Humano - Bel Santos Mayer no #TEDxSaoPaulo



Em uma sociedade em que a voz que predomina é a voz do homem adulto, branco, o homem intelectual. O que significa colocar literatura nas mãos de trabalhadores, das trabalhadoras e de seus filhos? O que acontece, quando trabalhadores trocam as suas ferramentas de trabalho por livros, por literatura? Vale a pena investir e levar literatura de qualidade para áreas em que as pessoas têm necessidades materiais?



Especialista em Pedagogia Social pela Universidade Salesiana de Roma, Bel Santos Mayer tem uma longa trajetória relacionada a organizações sociais que trabalham em prol da mobilização social pela educação, em especial em bairros periféricos da cidade de São Paulo. A educadora, que já participou de projetos de equidade racial e de gênero na educação e de capacitação em direitos humanos, atualmente, é uma das coordenadoras da Rede de Leitura LiteraSampa e atua no Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – Ibeac.

28 de dez de 2016

ESCOLA SEM PARTIDO



Vídeo idealizado e apresentado pela atriz Helena Albergaria, com texto de Gregório Duvivier e direção de Sérgio de Carvalho ironiza o projeto Escola sem Partido.


Resenha: Enquanto elas não voltam de Thamires Mussolini



O mundo entrou em colapso. A Terra é castigada por chuvas ácidas, as cidades estão inabitadas e é preciso se aventurar para encontrar alimentos. Uma doença misteriosa, criaturas mortais surgem e os sobreviventes são uma ameaça. Esse é o cenário do livro "Enquanto elas não voltam" que foi lançado esse ano pela Editora Quintal Edições (Belo Horizonte, 2016). 

Durante a leitura acompanhamos a luta pela sobrevivência de Lira. Tudo que sabemos desse universo é através de seu ponto de vista, de suas lembranças e das tragédias vividas pela personagem após o declínio da humanidade. A narrativa começa com Lira completamente sozinha tentando sobreviver a uma realidade onde até o clima é hostil. 

Enquanto elas não voltam é um romance pós apocalíptico e isso é quase tudo que posso te dizer sobre esse livro. Isso porque a grande sacada da história é o trabalho com a dúvida. No universo criado pela jovem escritora Thamires Mussolini não é possível delimitar espaço e nem tempo. Somos inseridos em uma história que nos coloca na mesma posição que os personagens centrais - ávidos a entender as razões de tamanha destruição e descobrir o caminho para o recomeço, para o renascimento da humanidade.


Quando digo que a história não delimita espaço e tempo quero dizer que em nenhum momento somos situados geograficamente. A história pode estar se passando em qualquer lugar ou cidade do planeta e em um ano, uma época que é completamente desconhecida pelos leitores. Ao que tudo indica os próprios personagens também perderam essa noção, uma vez que a luta pela própria vida é o que importa. Em um cenário onde parece que o próprio planeta está fazendo uma seleção natural, de onde você é ou veio é mero detalhe. 

Essa falta de referência, em minha opinião, colabora para a sensação de medo e ansiedade que a história transmite. Isso trouxe para mim enquanto leitor a sensação de estar perdido junto com os personagens. Enquanto elas não voltam utiliza muito bem da temática do fim, que é o que permeia as grandes histórias apocalípticas. Um fim que parece ter sido propiciado pela própria intransigência humana. 

"Andamos muito, sempre preocupados. O silêncio tomava conta, o que ajudava a ouvir caso alguém estivesse se aproximando. O medo era notável em cada um de nós, porém ninguém queria deixá-lo transparecer. À medida que avançávamos comecei a perceber que o cheiro e a temperatura mudavam, o frio cortante ia se dispersando e o ar quente e abafado ficava mais fácil de se respirar. Estávamos saindo da parte deserta, mas o que estaria mais à frente? Será que ainda existia algum vestígio da cidade? Eu pensava ser improvável..."

O livro é uma grande pedida para fãs de histórias sobre “o fim do mundo”. Ao mesmo tempo em que flerta com o suspense e a ação dignas de filmes e séries com a mesma temática,“Enquanto elas não voltam” explora a natureza humana em tempos de desespero com personagens muitas vezes negligenciados por  histórias para jovens adultos que estão no mercado.

Esse é um daqueles livros para ler, trocar impressões com outros leitores e criar suas próprias teorias. A cada adormecer e despertar de Lira chegamos muitas vezes a desconfiar de que tudo isso não passa de um pesadelo recorrente.



Estudou Letras na UFMG com ênfase em literatura. É uma leitora voraz e dessa prática surgiu seu interesse pela escrita. Escreve desde criança e em 2013 ganhou um concurso de escrita, pela faculdade, quando seu primeiro conto foi publicado. Em 2014 mais dois contos foram publicados ao ficar em terceiro lugar e ganhar uma menção honrosa em um concurso da editora Literacidade. “Enquanto Elas Não Voltam” é o seu primeiro livro publicado
3 de nov de 2016

Escola sem partido?* por Magda Soares




Discutir uma escola sem partido convoca evidenciar sua impossibilidade, e não só porque é mais uma tentativa de censura — neste caso, felizmente, das mais ineficazes, porque pretende calar aqueles cuja função, por atribuição da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é formar crianças e jovens para a cidadania, de que são princípios fundamentais a liberdade de expressão e o desenvolvimento da criticidade; é uma impossibilidade (uma ingenuidade?) porque se constrói sobre pressupostos que não se sutentam.

Escola sem partido: a expressão remete inevitavelmente a partido político, embora se venha negando que seja esta a intenção. Escola sem partido seria a escola incontaminada por partidos políticos? Por algum dos 35 partidos que, surpreendentemente, o país tem hoje? Acredita-se que cada um desses 35 partidos defende próprias e exclusivas convicções sociais, políticas, morais, religiosas — defende uma “ideologia” — , e pretenda impô-la às escolas? Impossível.

Por outro lado, se sem partido se refere a posicionamentos pessoais de professores — sociais, políticos, morais, religiosos (ideológicos?) — a falácia está em supor que o ser humano é capaz de se manter “neutro” em suas interações, sejam sociais, sejam, como pretende a escola sem partido, pedagógicas. A proibição de “doutrinação” comete o equívoco de julgar que as convicções de um ser humano, neste caso o professor, só se manifestam pela palavra: supõe-se que, proibindo a palavra, fica proibida a “doutrinação”. Um equívoco, porque não são só as palavras que expressam convicções, mas o ser humano como um todo, que, ainda que tenha a palavra proibida, revela-se por seu modo de agir, de decidir, por seus comportamentos; pode-se até tentar calar o professor, mas não se calam as mensagens que ele comunica por meios não verbais, mesmo se tenta “censurar-se”. Impossível.

Além disso, há na educação básica em nosso país, atualmente, mais de 2 milhões de professores. É possível transformar tantas centenas de professores em robôs que se limitem a repetir conteúdos? como se também conteúdos pudessem ser “neutros”: é possível falar de forma “neutra” da escravidão? do Holocausto? das guerras? do terrorismo? da miséria do mundo? é possível levar a literatura aos alunos sem os textos, os livros, pois estes nunca são “neutros”? Impossível.

E mais: serão os alunos, os quase 50 milhões de alunos das escolas brasileiras, os seres passivos que supõe a Escola sem Partido, a “audiência cativa” que se deixa facilmente influenciar pelos professores? O que dizer então da indisciplina, que tão frequentemente os professores enfrentam? o que dizer dos movimentos estudantis que invadem as ruas, que ocupam as escolas? Impossível.

Escola sem partido? Só como ficção. Felizmente.


* Artigo de Magda Becker Soares - professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG
* Artigo publicado originalmente pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG
31 de out de 2016

ALUNOS DE ESCOLA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE TRANSFORMAM HISTÓRIA DO BAIRRO EM QUADRINHOS



Em tempos difíceis, onde projetos como o "Escola sem Partido" e "PEC241" estão em pauta, nada melhor do que debruçar o olhar sobre iniciativas que promovem o aprendizado e a educação libertadora. Esse é o caso de um projeto que está sendo executado na Escola Municipal Anne Frank pelo professor de história Moacir Fagundes em parceria com a professora Luciana de Artes. 

Os alunos realizaram durante esse ano uma pesquisa sobre o bairro onde estudam e moram, o Conjunto Confisco (Belo Horizonte), que nasceu de uma ocupação. A ideia agora é sistematizar esse material, que foi enriquecido inclusive através de entrevista a moradores mais antigos e transformar em uma história em quadrinhos escrita e ilustrada pelos próprios alunos. 

“As disciplinas estudadas na escola não podem ser desvinculadas da vida do estudante, senão acontece um desinteresse por parte dos alunos. Por isso e pelas preocupações com o bairro surgiu esse projeto”, explicou o professor Moacir.

Para colaborar com essa ação surgiu uma terceira parceria importante, que é a designer e ilustradora Rebeca Prado. Além do projeto incentivar questões fundamentais para a formação dos jovens como pesquisa, conhecimento da história local, enraizamento comunitário, dinamização do processo de aprendizagem dentro do ambiente escolar, trás ainda a aproximação da pratica de um profissional que encanta a crianças e jovens, que é a ilustração, os quadrinhos.



O projeto realizado pelo professor Moacir é simples e genial por utilizar de elementos da história oral e fazer com que os alunos percebam de forma contundente a importância de conhecer a própria identidade comunitária e pessoal.

Saiba mais sobre o projeto acessando a página "Quero na Escola!" O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permite que os educadores peçam ajuda e recebam apoio de voluntários. 
10 de out de 2016

ENTENDA EM CINCO MINUTOS OS PERIGOS DA PEC 241



Comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (6), por 23 votos a 7, a proposta de emenda à Constituição (PEC 241/16) que trata de limites para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. O presidente da Câmara confirmou que o Plenário votará a proposta nessa segunda-feira (10). A PEC 241 é uma afronta à democracia e ao desenvolvimento do país. 

28 de set de 2016

POLÍTICA: VOCÊ CONHECE A PLATAFORMA #MEREPRESENTA ?



Estamos em época de eleições e sabemos o quanto votar com consciência é importante para o futuro de nossas cidades e de nosso país. Mas o que é votar de forma consciente? Como escolher um candidato entre as várias opções que estão postas? Pois existe uma alternativa interessante para auxiliar nossa análise. 


Essa é uma plataforma que merece e precisa ser divulgada por aí pois ainda não está disponível em todas as cidades. É um belo exemplo de tecnologia e internet a favor da informação, dos direitos humanos e da democracia. Conheci a plataforma através do canal da sempre incrível Jout Jout Prazer que explica bem didaticamente a função desse sistema. 

Vale a pena dar uma visualizada.



O #MEREPRESENTA É

Resultado de uma parceria entre as campanhas #VoteLGBT, #AgoraéQueSãoElas, a Rede Feminista de Juristas (#DeFEMde), a Rede Nossas Cidades (Meu Rio, Minha Sampa, Minha Porto Alegre e Meu Recife), a organização não governamental CFEMEA e o grupo LGBT Brasil, a plataforma #MeRepresenta tem como objetivo divulgar aos eleitores as posições de candidatos a vereador sobre pautas relevantes à construção das igualdades de gênero, racial e de orientação sexual.

COMO FUNCIONA

As candidaturas são mostradas para eleitoras e eleitores de acordo com a concordância com relação às pautas de direitos humanos elencadas. Mas não só. O ranqueamento também leva em conta os partidos da coligação de cada candidato ou candidata. Isso porque, para as eleições do Legislativo, os votos não são exclusivos da candidatura, sendo direcionados a toda a coligação. Portanto, os eleitores devem prestar atenção não apenas ao candidato, mas também aos partidos de sua coligação.
É possível que em algumas cidades, especialmente as menores, as coligações formadas tenham todas partidos hostis às pautas de direitos humanos e que, ainda assim, apresentem candidatos favoráveis. Nesse contexto sugerimos que se avalie com muito rigor de caso a caso.