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3 de nov de 2016

Escola sem partido?* por Magda Soares




Discutir uma escola sem partido convoca evidenciar sua impossibilidade, e não só porque é mais uma tentativa de censura — neste caso, felizmente, das mais ineficazes, porque pretende calar aqueles cuja função, por atribuição da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é formar crianças e jovens para a cidadania, de que são princípios fundamentais a liberdade de expressão e o desenvolvimento da criticidade; é uma impossibilidade (uma ingenuidade?) porque se constrói sobre pressupostos que não se sutentam.

Escola sem partido: a expressão remete inevitavelmente a partido político, embora se venha negando que seja esta a intenção. Escola sem partido seria a escola incontaminada por partidos políticos? Por algum dos 35 partidos que, surpreendentemente, o país tem hoje? Acredita-se que cada um desses 35 partidos defende próprias e exclusivas convicções sociais, políticas, morais, religiosas — defende uma “ideologia” — , e pretenda impô-la às escolas? Impossível.

Por outro lado, se sem partido se refere a posicionamentos pessoais de professores — sociais, políticos, morais, religiosos (ideológicos?) — a falácia está em supor que o ser humano é capaz de se manter “neutro” em suas interações, sejam sociais, sejam, como pretende a escola sem partido, pedagógicas. A proibição de “doutrinação” comete o equívoco de julgar que as convicções de um ser humano, neste caso o professor, só se manifestam pela palavra: supõe-se que, proibindo a palavra, fica proibida a “doutrinação”. Um equívoco, porque não são só as palavras que expressam convicções, mas o ser humano como um todo, que, ainda que tenha a palavra proibida, revela-se por seu modo de agir, de decidir, por seus comportamentos; pode-se até tentar calar o professor, mas não se calam as mensagens que ele comunica por meios não verbais, mesmo se tenta “censurar-se”. Impossível.

Além disso, há na educação básica em nosso país, atualmente, mais de 2 milhões de professores. É possível transformar tantas centenas de professores em robôs que se limitem a repetir conteúdos? como se também conteúdos pudessem ser “neutros”: é possível falar de forma “neutra” da escravidão? do Holocausto? das guerras? do terrorismo? da miséria do mundo? é possível levar a literatura aos alunos sem os textos, os livros, pois estes nunca são “neutros”? Impossível.

E mais: serão os alunos, os quase 50 milhões de alunos das escolas brasileiras, os seres passivos que supõe a Escola sem Partido, a “audiência cativa” que se deixa facilmente influenciar pelos professores? O que dizer então da indisciplina, que tão frequentemente os professores enfrentam? o que dizer dos movimentos estudantis que invadem as ruas, que ocupam as escolas? Impossível.

Escola sem partido? Só como ficção. Felizmente.


* Artigo de Magda Becker Soares - professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG
* Artigo publicado originalmente pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG
31 de out de 2016

ALUNOS DE ESCOLA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE TRANSFORMAM HISTÓRIA DO BAIRRO EM QUADRINHOS



Em tempos difíceis, onde projetos como o "Escola sem Partido" e "PEC241" estão em pauta, nada melhor do que debruçar o olhar sobre iniciativas que promovem o aprendizado e a educação libertadora. Esse é o caso de um projeto que está sendo executado na Escola Municipal Anne Frank pelo professor de história Moacir Fagundes em parceria com a professora Luciana de Artes. 

Os alunos realizaram durante esse ano uma pesquisa sobre o bairro onde estudam e moram, o Conjunto Confisco (Belo Horizonte), que nasceu de uma ocupação. A ideia agora é sistematizar esse material, que foi enriquecido inclusive através de entrevista a moradores mais antigos e transformar em uma história em quadrinhos escrita e ilustrada pelos próprios alunos. 

“As disciplinas estudadas na escola não podem ser desvinculadas da vida do estudante, senão acontece um desinteresse por parte dos alunos. Por isso e pelas preocupações com o bairro surgiu esse projeto”, explicou o professor Moacir.

Para colaborar com essa ação surgiu uma terceira parceria importante, que é a designer e ilustradora Rebeca Prado. Além do projeto incentivar questões fundamentais para a formação dos jovens como pesquisa, conhecimento da história local, enraizamento comunitário, dinamização do processo de aprendizagem dentro do ambiente escolar, trás ainda a aproximação da pratica de um profissional que encanta a crianças e jovens, que é a ilustração, os quadrinhos.



O projeto realizado pelo professor Moacir é simples e genial por utilizar de elementos da história oral e fazer com que os alunos percebam de forma contundente a importância de conhecer a própria identidade comunitária e pessoal.

Saiba mais sobre o projeto acessando a página "Quero na Escola!" O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permite que os educadores peçam ajuda e recebam apoio de voluntários. 
10 de out de 2016

ENTENDA EM CINCO MINUTOS OS PERIGOS DA PEC 241



Comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (6), por 23 votos a 7, a proposta de emenda à Constituição (PEC 241/16) que trata de limites para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. O presidente da Câmara confirmou que o Plenário votará a proposta nessa segunda-feira (10). A PEC 241 é uma afronta à democracia e ao desenvolvimento do país. 

28 de set de 2016

POLÍTICA: VOCÊ CONHECE A PLATAFORMA #MEREPRESENTA ?



Estamos em época de eleições e sabemos o quanto votar com consciência é importante para o futuro de nossas cidades e de nosso país. Mas o que é votar de forma consciente? Como escolher um candidato entre as várias opções que estão postas? Pois existe uma alternativa interessante para auxiliar nossa análise. 


Essa é uma plataforma que merece e precisa ser divulgada por aí pois ainda não está disponível em todas as cidades. É um belo exemplo de tecnologia e internet a favor da informação, dos direitos humanos e da democracia. Conheci a plataforma através do canal da sempre incrível Jout Jout Prazer que explica bem didaticamente a função desse sistema. 

Vale a pena dar uma visualizada.



O #MEREPRESENTA É

Resultado de uma parceria entre as campanhas #VoteLGBT, #AgoraéQueSãoElas, a Rede Feminista de Juristas (#DeFEMde), a Rede Nossas Cidades (Meu Rio, Minha Sampa, Minha Porto Alegre e Meu Recife), a organização não governamental CFEMEA e o grupo LGBT Brasil, a plataforma #MeRepresenta tem como objetivo divulgar aos eleitores as posições de candidatos a vereador sobre pautas relevantes à construção das igualdades de gênero, racial e de orientação sexual.

COMO FUNCIONA

As candidaturas são mostradas para eleitoras e eleitores de acordo com a concordância com relação às pautas de direitos humanos elencadas. Mas não só. O ranqueamento também leva em conta os partidos da coligação de cada candidato ou candidata. Isso porque, para as eleições do Legislativo, os votos não são exclusivos da candidatura, sendo direcionados a toda a coligação. Portanto, os eleitores devem prestar atenção não apenas ao candidato, mas também aos partidos de sua coligação.
É possível que em algumas cidades, especialmente as menores, as coligações formadas tenham todas partidos hostis às pautas de direitos humanos e que, ainda assim, apresentem candidatos favoráveis. Nesse contexto sugerimos que se avalie com muito rigor de caso a caso.

15 de set de 2016

LIVRO "ESCOLAS DE LUTA" CONTA A HISTÓRIA DAS OCUPAÇÕES ESTUDANTIS DE SÃO PAULO



Imagem da capa do livro é do fotógrafo Sérgio Silva.

Será lançado recentemente (dia 24) o livro "Baderna: Escolas de luta" (editora Veneta) que é uma publicação que faz um resgate  e conta as histórias das ocupações estudantis que aconteceram na cidade de São Paulo durante o segundo semestre de 2015. 

Essa luta estudantil que acompanhamos orgulhosos foi deflagrada em reação a propostas de reorganização do governo Alckmin (PSDB) e que ia culminar em fechamento de unidades e transferência de alunos para escolas em outros bairros ou distantes. 

O livro foi escrito e organizado pela Antonia M. Campos, mestre em sociologia pela Unicamp; Jonas Medeiros, doutorando em educação pela Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento); e Márcio M. Ribeiro, professor do bacharelado em sistemas de informação na EACH/USP e membro do GPoPAI (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação).

As ocupações das escolas estaduais de São Paulo foi um movimento bonito e que jogou por terra o discurso de que jovens não sabem o que querem ou que não entendem de política. Os alunos mostraram bastante coerência nas argumentações com o governo e organização. As escolas viraram dormitórios e centros de debate e manifestações artísticas, que contaram inclusive com o apoio de artistas consagrados, que passaram a frequentar as ocupações. Foi uma luta vitoriosa que entrou para a história de nosso país e mostrou a força dos jovens e da sociedade civil organizada.

Escola Estadual Fernão Dias Paes durante ocupação. Novembro/ 2015. Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo
14 de set de 2016

VOCÊ É A FAVOR DA CRIMINALIZAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO POR ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO NO BRASIL?



O Senado Federal abriu consulta pública sobre o projeto para a criminalização da LGBTfobia no Brasil, equiparando ao crime de racismo. O nosso país é sempre citado como um país com altos índices de violência contra a comunidade LGBT e o combate a esse mal social precisa ser encarado com a seriedade que merece, com informação, conscientização, políticas públicas e criminalização da homofobia. A LGBTfobia mata. 

Chegou a hora da sociedade civil demonstrar que é contra a violência e que preza pela igualdade de direitos e pela diversidade. 

Acesse e vote "A Favor": http://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria…

12 de set de 2016

DOCUMENTÁRIO UTOPIA E BARBÁRIE




O filme fala da geração que viveu as revoluções de esquerda e da contracultura, as guerras de independência na África e na Ásia, a guerra do Vietnã, as ditaduras latino-americanas, a queda do muro de Berlim e a disseminação da globalização e do neoliberalismo, funcionando como um "pensamento único".
"Utopia" e "barbárie" são, para o diretor, dois movimentos complementares, sucedendo-se um ao outro pela história - assim como ao sonho igualitário da Revolução Russa de 1917 seguiu-se o pesadelo do genocídio estalinista, ao projeto do Brasil Novo de Juscelino Kubitscheck e João Goulart, a ditadura militar de 1964.