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2 de mai de 2017

20 nos da morte do educador Paulo Freire



Há 20 anos, às 6h53 do dia 2 de maio de 1997, morria no hospital Albert Einstein, em São Paulo, o patrono da educação brasileira Paulo Freire, aos 75 anos.

“Descobri que o analfabetismo era uma castração dos homens e das mulheres, uma proibição que a sociedade organizada impunha às classes populares.” – 29.mai.1994

“O Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização, implantado no regime militar) nasceu para negar meu método, para silenciar meu discurso.” – idem

“Eu não aceito que a ética do mercado, que é profundamente malvada, perversa, a ética da venda, do lucro, seja a que satisfaz o ser humano.” – 31.mar.1997

“Os negros no Brasil nascem proibidos de ser inteligentes.” – 1990


25 de abr de 2017

Demarcação Já: uma homenagem de mais de 25 artistas aos povos indígenas do Brasil




Uma seleção de artistas que inclui nomes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes, Elza Soares, Criolo, Lenine, Zélia Duncan, Zeca Baleiro e Nando Reis dá voz à música “Demarcação Já”, do letrista Carlos Rennó com o cantor e compositor Chico César.
Resultado de uma parceria das organizações Greenpeace, Instituto Socioambiental (ISA) e Bem-Te-Vi Diversidade com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e as produtoras Cinedelia e O2 Filmes, a canção ganhou vida graças ao trabalho de mais de 25 artistas. Eles doaram seu talento para apoiar os direitos indígenas, em especial a garantia do território, que é vital para a sobrevivência física e cultural desses povos.





Letra: Carlos Rennó
Música: Chico César
Direção: André Vilela D'Elia
Produção: Cinedelia
Assista também em: cinedelia.com

Artistas:
Ney Matogrosso
Maria Bethânia
Gilberto Gil
Djuena Tikuna
Zeca Pagodinho
Zeca Baleiro
Arnaldo Antunes
Nando Reis
Lenine
Elza Soares
Lirinha - José Paes de Lira
Leticia Sabatella
José Celso Martinez Corrêa
Tetê Espíndola
Edgard Scandurra
Zélia Duncan
Jaques Morelenbaum
Dona Onete
Felipe Cordeiro
Criolo
Marlui Miranda
BaianaSystem
Margareth Menezes
Céu

Com participação de:
Eduardo Viveiros de Castro
André Vallias
Ailton Krenak
27 de jan de 2017

A Literatura Como Direito Humano - Bel Santos Mayer no #TEDxSaoPaulo



Em uma sociedade em que a voz que predomina é a voz do homem adulto, branco, o homem intelectual. O que significa colocar literatura nas mãos de trabalhadores, das trabalhadoras e de seus filhos? O que acontece, quando trabalhadores trocam as suas ferramentas de trabalho por livros, por literatura? Vale a pena investir e levar literatura de qualidade para áreas em que as pessoas têm necessidades materiais?



Especialista em Pedagogia Social pela Universidade Salesiana de Roma, Bel Santos Mayer tem uma longa trajetória relacionada a organizações sociais que trabalham em prol da mobilização social pela educação, em especial em bairros periféricos da cidade de São Paulo. A educadora, que já participou de projetos de equidade racial e de gênero na educação e de capacitação em direitos humanos, atualmente, é uma das coordenadoras da Rede de Leitura LiteraSampa e atua no Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – Ibeac.

28 de dez de 2016

ESCOLA SEM PARTIDO



Vídeo idealizado e apresentado pela atriz Helena Albergaria, com texto de Gregório Duvivier e direção de Sérgio de Carvalho ironiza o projeto Escola sem Partido.


Resenha: Enquanto elas não voltam de Thamires Mussolini



O mundo entrou em colapso. A Terra é castigada por chuvas ácidas, as cidades estão inabitadas e é preciso se aventurar para encontrar alimentos. Uma doença misteriosa, criaturas mortais surgem e os sobreviventes são uma ameaça. Esse é o cenário do livro "Enquanto elas não voltam" que foi lançado esse ano pela Editora Quintal Edições (Belo Horizonte, 2016). 

Durante a leitura acompanhamos a luta pela sobrevivência de Lira. Tudo que sabemos desse universo é através de seu ponto de vista, de suas lembranças e das tragédias vividas pela personagem após o declínio da humanidade. A narrativa começa com Lira completamente sozinha tentando sobreviver a uma realidade onde até o clima é hostil. 

Enquanto elas não voltam é um romance pós apocalíptico e isso é quase tudo que posso te dizer sobre esse livro. Isso porque a grande sacada da história é o trabalho com a dúvida. No universo criado pela jovem escritora Thamires Mussolini não é possível delimitar espaço e nem tempo. Somos inseridos em uma história que nos coloca na mesma posição que os personagens centrais - ávidos a entender as razões de tamanha destruição e descobrir o caminho para o recomeço, para o renascimento da humanidade.


Quando digo que a história não delimita espaço e tempo quero dizer que em nenhum momento somos situados geograficamente. A história pode estar se passando em qualquer lugar ou cidade do planeta e em um ano, uma época que é completamente desconhecida pelos leitores. Ao que tudo indica os próprios personagens também perderam essa noção, uma vez que a luta pela própria vida é o que importa. Em um cenário onde parece que o próprio planeta está fazendo uma seleção natural, de onde você é ou veio é mero detalhe. 

Essa falta de referência, em minha opinião, colabora para a sensação de medo e ansiedade que a história transmite. Isso trouxe para mim enquanto leitor a sensação de estar perdido junto com os personagens. Enquanto elas não voltam utiliza muito bem da temática do fim, que é o que permeia as grandes histórias apocalípticas. Um fim que parece ter sido propiciado pela própria intransigência humana. 

"Andamos muito, sempre preocupados. O silêncio tomava conta, o que ajudava a ouvir caso alguém estivesse se aproximando. O medo era notável em cada um de nós, porém ninguém queria deixá-lo transparecer. À medida que avançávamos comecei a perceber que o cheiro e a temperatura mudavam, o frio cortante ia se dispersando e o ar quente e abafado ficava mais fácil de se respirar. Estávamos saindo da parte deserta, mas o que estaria mais à frente? Será que ainda existia algum vestígio da cidade? Eu pensava ser improvável..."

O livro é uma grande pedida para fãs de histórias sobre “o fim do mundo”. Ao mesmo tempo em que flerta com o suspense e a ação dignas de filmes e séries com a mesma temática,“Enquanto elas não voltam” explora a natureza humana em tempos de desespero com personagens muitas vezes negligenciados por  histórias para jovens adultos que estão no mercado.

Esse é um daqueles livros para ler, trocar impressões com outros leitores e criar suas próprias teorias. A cada adormecer e despertar de Lira chegamos muitas vezes a desconfiar de que tudo isso não passa de um pesadelo recorrente.



Estudou Letras na UFMG com ênfase em literatura. É uma leitora voraz e dessa prática surgiu seu interesse pela escrita. Escreve desde criança e em 2013 ganhou um concurso de escrita, pela faculdade, quando seu primeiro conto foi publicado. Em 2014 mais dois contos foram publicados ao ficar em terceiro lugar e ganhar uma menção honrosa em um concurso da editora Literacidade. “Enquanto Elas Não Voltam” é o seu primeiro livro publicado
3 de nov de 2016

Escola sem partido?* por Magda Soares




Discutir uma escola sem partido convoca evidenciar sua impossibilidade, e não só porque é mais uma tentativa de censura — neste caso, felizmente, das mais ineficazes, porque pretende calar aqueles cuja função, por atribuição da Constituição e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é formar crianças e jovens para a cidadania, de que são princípios fundamentais a liberdade de expressão e o desenvolvimento da criticidade; é uma impossibilidade (uma ingenuidade?) porque se constrói sobre pressupostos que não se sutentam.

Escola sem partido: a expressão remete inevitavelmente a partido político, embora se venha negando que seja esta a intenção. Escola sem partido seria a escola incontaminada por partidos políticos? Por algum dos 35 partidos que, surpreendentemente, o país tem hoje? Acredita-se que cada um desses 35 partidos defende próprias e exclusivas convicções sociais, políticas, morais, religiosas — defende uma “ideologia” — , e pretenda impô-la às escolas? Impossível.

Por outro lado, se sem partido se refere a posicionamentos pessoais de professores — sociais, políticos, morais, religiosos (ideológicos?) — a falácia está em supor que o ser humano é capaz de se manter “neutro” em suas interações, sejam sociais, sejam, como pretende a escola sem partido, pedagógicas. A proibição de “doutrinação” comete o equívoco de julgar que as convicções de um ser humano, neste caso o professor, só se manifestam pela palavra: supõe-se que, proibindo a palavra, fica proibida a “doutrinação”. Um equívoco, porque não são só as palavras que expressam convicções, mas o ser humano como um todo, que, ainda que tenha a palavra proibida, revela-se por seu modo de agir, de decidir, por seus comportamentos; pode-se até tentar calar o professor, mas não se calam as mensagens que ele comunica por meios não verbais, mesmo se tenta “censurar-se”. Impossível.

Além disso, há na educação básica em nosso país, atualmente, mais de 2 milhões de professores. É possível transformar tantas centenas de professores em robôs que se limitem a repetir conteúdos? como se também conteúdos pudessem ser “neutros”: é possível falar de forma “neutra” da escravidão? do Holocausto? das guerras? do terrorismo? da miséria do mundo? é possível levar a literatura aos alunos sem os textos, os livros, pois estes nunca são “neutros”? Impossível.

E mais: serão os alunos, os quase 50 milhões de alunos das escolas brasileiras, os seres passivos que supõe a Escola sem Partido, a “audiência cativa” que se deixa facilmente influenciar pelos professores? O que dizer então da indisciplina, que tão frequentemente os professores enfrentam? o que dizer dos movimentos estudantis que invadem as ruas, que ocupam as escolas? Impossível.

Escola sem partido? Só como ficção. Felizmente.


* Artigo de Magda Becker Soares - professora emérita da Faculdade de Educação da UFMG
* Artigo publicado originalmente pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG
31 de out de 2016

ALUNOS DE ESCOLA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE TRANSFORMAM HISTÓRIA DO BAIRRO EM QUADRINHOS



Em tempos difíceis, onde projetos como o "Escola sem Partido" e "PEC241" estão em pauta, nada melhor do que debruçar o olhar sobre iniciativas que promovem o aprendizado e a educação libertadora. Esse é o caso de um projeto que está sendo executado na Escola Municipal Anne Frank pelo professor de história Moacir Fagundes em parceria com a professora Luciana de Artes. 

Os alunos realizaram durante esse ano uma pesquisa sobre o bairro onde estudam e moram, o Conjunto Confisco (Belo Horizonte), que nasceu de uma ocupação. A ideia agora é sistematizar esse material, que foi enriquecido inclusive através de entrevista a moradores mais antigos e transformar em uma história em quadrinhos escrita e ilustrada pelos próprios alunos. 

“As disciplinas estudadas na escola não podem ser desvinculadas da vida do estudante, senão acontece um desinteresse por parte dos alunos. Por isso e pelas preocupações com o bairro surgiu esse projeto”, explicou o professor Moacir.

Para colaborar com essa ação surgiu uma terceira parceria importante, que é a designer e ilustradora Rebeca Prado. Além do projeto incentivar questões fundamentais para a formação dos jovens como pesquisa, conhecimento da história local, enraizamento comunitário, dinamização do processo de aprendizagem dentro do ambiente escolar, trás ainda a aproximação da pratica de um profissional que encanta a crianças e jovens, que é a ilustração, os quadrinhos.



O projeto realizado pelo professor Moacir é simples e genial por utilizar de elementos da história oral e fazer com que os alunos percebam de forma contundente a importância de conhecer a própria identidade comunitária e pessoal.

Saiba mais sobre o projeto acessando a página "Quero na Escola!" O Quero na Escola – Especial Professor foi viabilizado com a parceria da Fundação SM e permite que os educadores peçam ajuda e recebam apoio de voluntários.