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15 de set de 2016

LIVRO "ESCOLAS DE LUTA" CONTA A HISTÓRIA DAS OCUPAÇÕES ESTUDANTIS DE SÃO PAULO



Imagem da capa do livro é do fotógrafo Sérgio Silva.

Será lançado recentemente (dia 24) o livro "Baderna: Escolas de luta" (editora Veneta) que é uma publicação que faz um resgate  e conta as histórias das ocupações estudantis que aconteceram na cidade de São Paulo durante o segundo semestre de 2015. 

Essa luta estudantil que acompanhamos orgulhosos foi deflagrada em reação a propostas de reorganização do governo Alckmin (PSDB) e que ia culminar em fechamento de unidades e transferência de alunos para escolas em outros bairros ou distantes. 

O livro foi escrito e organizado pela Antonia M. Campos, mestre em sociologia pela Unicamp; Jonas Medeiros, doutorando em educação pela Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento); e Márcio M. Ribeiro, professor do bacharelado em sistemas de informação na EACH/USP e membro do GPoPAI (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação).

As ocupações das escolas estaduais de São Paulo foi um movimento bonito e que jogou por terra o discurso de que jovens não sabem o que querem ou que não entendem de política. Os alunos mostraram bastante coerência nas argumentações com o governo e organização. As escolas viraram dormitórios e centros de debate e manifestações artísticas, que contaram inclusive com o apoio de artistas consagrados, que passaram a frequentar as ocupações. Foi uma luta vitoriosa que entrou para a história de nosso país e mostrou a força dos jovens e da sociedade civil organizada.

Escola Estadual Fernão Dias Paes durante ocupação. Novembro/ 2015. Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo
14 de set de 2016

VOCÊ É A FAVOR DA CRIMINALIZAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO POR ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO NO BRASIL?



O Senado Federal abriu consulta pública sobre o projeto para a criminalização da LGBTfobia no Brasil, equiparando ao crime de racismo. O nosso país é sempre citado como um país com altos índices de violência contra a comunidade LGBT e o combate a esse mal social precisa ser encarado com a seriedade que merece, com informação, conscientização, políticas públicas e criminalização da homofobia. A LGBTfobia mata. 

Chegou a hora da sociedade civil demonstrar que é contra a violência e que preza pela igualdade de direitos e pela diversidade. 

Acesse e vote "A Favor": http://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria…

12 de set de 2016

DOCUMENTÁRIO UTOPIA E BARBÁRIE




O filme fala da geração que viveu as revoluções de esquerda e da contracultura, as guerras de independência na África e na Ásia, a guerra do Vietnã, as ditaduras latino-americanas, a queda do muro de Berlim e a disseminação da globalização e do neoliberalismo, funcionando como um "pensamento único".
"Utopia" e "barbárie" são, para o diretor, dois movimentos complementares, sucedendo-se um ao outro pela história - assim como ao sonho igualitário da Revolução Russa de 1917 seguiu-se o pesadelo do genocídio estalinista, ao projeto do Brasil Novo de Juscelino Kubitscheck e João Goulart, a ditadura militar de 1964.

10 de set de 2016

A verdade da repressão por Antonio Candido



(publicado em “Opinião”, em janeiro de 1972.)

Balzac, que percebeu tanta coisa, percebeu também qual era o papel que a polícia estava começando a desempenhar no mundo contemporâneo. Fouché a tinha transformado num instrumento preciso e onipotente, necessário para manter a ditadura de Napoleão. Mas criando dentro da ditadura um mundo paralelo, que se torna fator determinante e não apenas elemento determinado.
O romancista tinha mais ou menos dezesseis anos quando Napoleão caiu, e assim pôde ver como a polícia organizada por Fouché adquirira por acréscimo (numa espécie de desenvolvimento natural das funções) o seu grande papel no mundo burguês e constitucional que então se abria: disfarçar o arbítrio da vontade dos dirigentes por meio da simulação de legalidade.
A polícia de um soberano absoluto é ostensiva e brutal, porque o soberano absoluto não se preocupa em justificar demais os seus atos. Mas a de um Estado constitucional tem de ser mais hermética e requintada. Por isso, vai-se misturando organicamente com o resto da sociedade, pondo em prática um modelo que se poderia chamar de “veneziano” — ou seja, o que estabelece uma rede sutil de espionagem e de delação irresponsável (cobertas pelo anonimato) como alicerce do Estado.
Para este fim, criam-se por toda a parte vínculos íntimos e profundos. A polícia se disfarça e assume uma organização dupla, bifurcando-se numa parte visível (com os seus distintivos e as suas siglas) e numa parte secreta, com o seu exército impressentido de espiões e alcaguetes, que em geral aparecem como exercendo ostensivamente uma outra atividade. Este funcionamento duplo permite satisfazer também a um requisito intransigente da burguesia, dominante desde os tempos de Balzac, e dispensado só nos casos de salvação da classe: a tarefa policial deve ser executada implacavelmente, mas sem ferir demais a sensibilidade dos bem-postos na vida. Para isso, é preciso esconder tanto quanto possível os aspectos mais desagradáveis da investigação e da repressão.
Para obter esse resultado, a sociedade suscita milhares de indivíduos de alma convenientemente deformada. Assim como os “comprachicos” d’O Homem que Ri, de Victor Hugo, estropiavam fisicamente as crianças a fim de obterem aleijões para divertimento dos outros, a sociedade puxa para fora daqueles indivíduos a brutalidade, a privação, a frustração, a torpeza, a tara — e os remete à função repressora.
Daí o interesse da literatura pela polícia, desde que Balzac viu a solidariedade orgânica entre ela e a sociedade, o poder dos seus setores ocultos e o aproveitamento do marginal, do degenerado, para o fortalecimento da ordem. Nos seus livros há um momento onde o transgressor não se distingue do repressor, mesmo porque este pode ter sido antes um transgressor, como é o caso de Vautrin, ao mesmo tempo o seu maior criminoso e o seu maior policial.
Dostoievski percebeu uma coisa mais sutil: a função simbólica do policial como sucedâneo possível da consciência — a sociedade entrando na casa de cada um através da pressão ou do desvendamento que ele efetua. Em Crime e Castigo, o juiz de instrução Porfírio Porfiriovitch vai-se tornando para Raskolnikof uma espécie de desdobramento dele mesmo.
Mas foi Kafka n’O Processo, quem viu o aspecto por assim dizer essencial e ao mesmo tempo profundamente social. Viu a polícia como algo inseparável da justiça, e esta assumindo cada vez mais um aspecto de polícia. Viu de que maneira a função de reprimir (mostrada por Balzac como função normal da sociedade) adquire um sentido transcendente, ao ponto de acabar se tornando a sua própria finalidade. Quando isso ocorre, ela desvenda aspectos básicos do homem, repressor e reprimido.
Para entrar em funcionamento, a polícia-justiça de Kafka não tem necessidade de motivos, mas apenas de estímulos. E uma vez em funcionamento não pode mais parar, porque a sua finalidade é ela própria. Para isso, não hesita em tirar qualquer homem do seu trilho até liquidá-lo de todo, física ou moralmente. Não hesita em pô-lo (seja por que meio for) à margem da ação, ou da suspeita de ação, ou da vaga possibilidade de ação que o Estado quer reprimir, sem se importar se o indivíduo visado está envolvido nela. Em face da importância ganha pelo processo punitivo (que acaba tendo o alvo espúrio de funcionar, pura e simplesmente, mesmo sem motivo), a materialidade da culpa perde sentido.
A polícia aparece então como um agente que viola a personalidade, roubando ao homem os precários recursos de equilíbrio de que usualmente dispõe: pudor, controle emocional, lealdade, discrição — dissolvidos com perícia ou brutalidade profissionais. Operando como poderosa força redutora, ela traz à superfície tudo o que tínhamos conseguido reprimir, e transforma o pudor em impudor, o controle em desmando, a lealdade em delação, a discrição em bisbilhotice trágica.
Daí uma espécie de monstruosa verdade suscitada pela polícia. Verdade oculta de um ser que ia penosamente se apresentando como outro, que de fato era outro, na medida em que não era obrigado a recair nas suas profundidades abissais. Aliás, seria mais correto dizer que o outro é o suscitado pela polícia. O outro, com a sua verdade imposta ou desentranhada pelo processo repressor, extraída, contra a vontade, dos porões onde tinha sido mais ou menos trancada.
De fato, a polícia tem necessidade de construir a verdade do outro para poder manipular o eu do seu paciente. A sua força consiste em opor o outro ao eu, até que este seja absorvido por aquele e, deste modo, esteja pronto para o que se espera dele: colaboração, submissão, omissão, silêncio. A polícia esculpe o outro por meio do interrogatório, o vasculhamento do passado, a exposição da fraqueza, a violência física e moral. No fim, se for preciso, poderá inclusive empregar a seu serviço este outro, que é um novo eu, manipulado pela dosagem de um ingrediente da mais alta eficácia: o medo — em todos os seus graus e modalidades.
* * *
Um exemplo dessa redução degradante é o comportamento do delegado com o encanador, no filme Inquérito sobre um cidadão acima de qualquer suspeita, de Elio Petri.
O delegado, que é também o criminoso, resolve brincar com o destino e como que provar o mecanismo autodominante da polícia, a sua finalidade em si mesma. Para isso, dirige-se a um transeunte qualquer, escolhido ao acaso, e confessa que é o matador procurado, dando como prova a gravata azul celeste que usa e fora vista nele. Convence então o pobre transeunte a ir à polícia e relatar o fato, dando-lhe para levar como indício (e evidentemente como baralhamento do indício) diversas gravatas iguais, que mostrariam como era a do assassino.
Chegado à polícia, o transeunte, que é encanador, dá de cara com o assassino que se confessara na rua, e que ia delatar; mas que agora está no seu papel de delegado. Este o interroga com brutalidade e o pressiona física e moralmente para dizer quem era o assassino que se desvendara a ele na rua. Mas o pobre diabo, completamente desorganizado pela contradição inexplicável, não tem coragem para tanto. Com isso, vai ficando suspeito, vai-se caracterizando legalmente corno possível criminoso, até desaparecer dos nossos olhos, trôpego, arrasado, por uns corredores sujos que levam aonde bem suspeitamos.
A força que o paralisa, e que nos paralisaria eventualmente, vem de uma ambiguidade, misteriosa na aparência, mas eficaz, cuja natureza foi sugerida acima: o repressor e o transgressor são o mesmo, não apenas fisicamente e do ponto de vista dos papéis sociais, mas ontologicamente (o outro é o eu).
Tudo nesse episódio é modelar: a gratuidade com que se escolhe o culpado; a imposição de um comportamento não intencional (ir à polícia com as gravatas azuis no braço, delatar um criminoso sem nome, que não interessa); o baralhamento da verdade, quando ele constata que o homem que se denunciara como assassino é também o delegado; a transformação do inocente em suspeito e do suspeito em delinquente, aceita pelo próprio inocente, do fundo da sua desorganização mental, forjada pela inquirição.
O fulcro desse processo talvez seja aquele momento do interrogatório em que o delegado pergunta ao pobre diabo, já zonzo, qual é a sua profissão.
“— Sou hidráulico”, responde ele.
O delegado esbraveja:
” — Qual hidráulico qual nada! Agora toda a gente quer ser alguma coisa bonita! O que você é é encanador, não é? En-ca-na-dor! Por que hi-dráu-li-co?!”.
E o desgraçado, já sem fôlego nem prumo: “— Sim, sou encanador”’. (Cito de memória porque não tenho o roteiro.)
Vê-se que o pobre homem, a exemplo de toda a sua categoria profissional, tinha adotado uma designação de cunho técnico (idraulico, em italiano), que o afasta da velha designação artesanal “encanador” (stagnaro, em italiano), e assim lhe dá a ilusão de um nível aparentemente mais elevado, ou pelo menos mais científico e atualizado. Mas o policial o reduz ao nível anterior, desmascara a sua autopromoção, lira para fora a sua verdade indesejada. E, no fim, é como se ele dissesse:
“— Sim, confesso, não sou um técnico de nome sonoro, que evoca inocentemente alguma coisa de engenharia; sou mesmo um pobre diabo, um encanador. Estou reduzido ao meu verdadeiro eu, libertado do outro” .
Mas, na verdade, foi a polícia que lhe impôs o outro como eu. A polícia efetuou um desmantelamento da personalidade, arduamente construída, e trouxe de volta o que o homem tinha superado. Sinistra mentalidade redutora, que nos obriga a ser, ou voltar a ser, o que não queremos ser; e que mostra como Alfred de Vigny tinha razão, quando anotou seu diário:
“Não tenha medo da pobreza, nem do exílio, nem da prisão, nem da morte. Mas tenha medo do medo”.
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Antonio Candido é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, amplamente considerado o maior crítico literário brasileiro vivo.

11 de jun de 2016

ARTISTA UTILIZA O SÍMBOLO DO PENTE AFRO PARA CELEBRAR ATIVISTAS AFRICANOS



Artista nigeriano Fred Martins compartilha sua mais recente coleção de arte politicamente carregada com Indaba. Sua série anterior chamou a atenção para o grave problema da mudança climática , que foi destinado a desencadear uma resposta emocional no espectador - que poderia, então, levar a uma melhor gestão global. Este novo projeto celebra ativistas africanos, que foram presos por tentar impor a liberdade e justiça para os africanos. Usando o símbolo do "pente afro", a série de Martins inclui retratos de Marcus Garvey, Martin Luther King Jr., Nelson Mandela, Patrice Lumumba e Fela Kuti.





26 de mai de 2016

30 (POR RODRIGO CIRÍACO)



30 caras nus, expostos na praça. 30 paralelepípedos pendurados em 30 sacos. De 30 escrotos. 30 pedaços de madeira de 30 centímetros para introduzir e retirar nos 30 anus, durante 30 minutos. Ou durante 30 anos. Durante 30 meses. 30 dias. 30 minutos de cuspidas, escarros. Toda uma vida de repugnância, nojo, asco. 30 milhões de homens apoiadores, estupradores acompanhando. Pensando. Eu posso ser o 30 próximo. 30 vidas de indiferença. 30 vidas para expor a indignação, a revolta. 30 vontades de matar, sangrar, estripar. Em 30 pedaços. 30 chagas. 30 manchas. 30 marcas. Indeléveis. 30 linhas, 30 páginas, 30 livros. Insuficientes. 30 vontades de matar – e para me aproximar deles. 30 vontades que preciso extirpar para não me tornar como eles. 30 desejos que preciso racionalizar para não virar o apoiador deles. O "mito" deles. Os 30 políticos que se dizem tão distante deles. Que defendem 30 penas de morte. Que defendem que 30 mulheres são feias e só por isso não merecem ser estupradas. 30. Não é suficiente, mas vou me contentar com 30. 30 anos de prisão. 30 anos de reclusão. 30 anos de penitência. 30 anos sem liberdade. 30 anos vendo o sol nascer quadrado, atrás das grades. Para os 30. E para todos os outros. Espero que aconteça. Nos próximos 30 segundos...
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30. 30 homens. Mais 01 mulher estuprada no Brasil.

VÍDEO DE QUINTA: CONCERTO PELA DEMOCRACIA


Manifestação 'Fora Temer' em São Paulo


Em um “ato-concerto” épico convocado por músicos no vão do Palácio Capanema – sede do antigo Ministério da Cultura (Minc) no Rio de Janeiro –, centenas de manifestantes entoaram a Carmina Burana, de Carl Orff, pela saída do presidente interino Michel Temer.






Gravado no Palácio Gustavo Capanema em 17/05/2016
Excelente edição by Midia Ninja