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30 de mar de 2011

"O PERIGO DA HISTÓRIA ÚNICA"


Chimamanda Ngozi Adichie, escritora e contadora de estórias

Definitivamente algumas pessoas parecem nascer educadoras. Com uma simplicidade incrível lançam mão de acontecimentos para muitos considerados "banais", e nos levam a literalmente "pirar" sobre questões que beiram a antropologia e a filosofia. Com maestria somos provocados a  enxergar a sociedade e a aplicação de seus modelos sobre um viés diferenciado. Isso se chama história. E é através da análise da história de seu povo que a educadora e escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie expandiu seu conceito sobre a sociedade, o ensino, a literatura, as relações internacionais, entre outras questões, nos trazendo a uma discussão fantástica sobre: "o perigo da história única" (que explicarei melhor logo abaixo)

Chimamanda chamou a atenção de muitos ao participar do TED, que é uma conferência anual que reúne os mais importantes pensadores do mundo, onde são desafiados a fazerem a melhor apresentação de suas vidas em 18 minutos. E ela conseguiu. Em seu vídeo a escritora revela seus primeiros passos em direção a literatura, ao mesmo tempo em que discute sobre a influência das leituras (cultura) estrangeiras, entre outras questões. 

...Eu nunca havia estado fora da Nigéria. Nós não tínhamos neve, nós comíamos mangas. E nós nunca falávamos sobre o tempo porque não era necessário. Meus personagens também bebiam muita cerveja de gengibre porque as personagens dos livros britânicos que eu lía bebiam cerveja de gengibre. Não importava que eu não tivesse a mínima idéia do que era cerveja de gengibre...
Citação retirada de vídeo do site TED.com 

Mas o que mais fascina em seu discurso é o conceito da "história única", que internalizei e procuro refletir sobre minha prática e minhas ações, colocando essa idéia como norteadora. Chimamanda nos traz um alerta sobre o perigo de se analisar situações, pessoas, países, ou o que seja, por apenas um ponto de vista. Essa discussão abre um leque de exemplos, e trazendo um que seja  palpável a nossa realidade, podemos citar a idéia que as pessoas (estrangeiras) possuem de que o Brasil é  um país sexual, e a partir daí o povo brasileiro é analisado apenas por essa característica, como se fosse a única verdade absoluta, inerente a toda a nação, sem exceções.


O mais incrível é que a escritora foi percebendo tal situação ao se voltar para suas próprias origens e perceber que seu povo também tinha história para contar, e que os negros também podem ser personagens de livros.  

Para nós, pedagogos, essa discussão reafirma teses comportamentais e de análise estudadas em várias disciplinas. A valorização e percepção de que cada aluno é único e dotado de especificidades precisa estar entre as prioridades nos momentos de análise, planejamento e atuação dos educadores, coordenadores e diversos atores educacionais. Enxergar um aluno, uma turma ou um bairro por apenas um olhar irá comprometer seriamente na qualidade do trabalho, além de colaborar para a criação de rótulos, preconceitos e estereótipos no ambiente educacional.

Veja abaixo o vídeo onde Chimamanda Ngozi Adchie relata sua vivência, suas percepções e  apresenta provocações. Você encontrará conceitos riquíssimos em uma linguagem acessível e cheia de descontração. Com a história dessa nigeriana, você perceberá uma relação interessante que confirma a importância da literatura na "formação" das pessoas. Esse vídeo é uma boa ferramenta para momentos de discussão em grupo, dinâmicas, formação de educadores e bate papo com adolescentes. Fica a dica...



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