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14 de abr de 2011

LEITURA: A PRÁTICA DOS PROFESSORES NA FORMAÇÃO DE CRIANÇAS LEITORAS


University Society Editorial Board, Boys and Girls Bookshelf (New York: The University Society, 1920)4:212

 O processo de escrita de uma monografia é um momento único. Aliado ao fato de que indica o término de uma graduação e traz consigo indagações sobre o futuro acadêmico, ao mesmo tempo apresenta a importância e a arte de pesquisar com propriedade. Taí... pesquisar. Estou realmente fascinado com os fatores envolvidos na elaboração de uma pesquisa e com a aproximação de teses e contribuições daqueles que já escreveram sobre os temas estudados. Estou escrevendo a monografia em parceria com minha pequena grande amiga Elaine e foi dela que ouví uma frase muito interessante, após a elaboração do capítulo de análise de dados: "pesquisando e lendo tanto, estou me deparando com coisas que eu mesmo faço  (em sala de aula) e agora posso me cobrar a ter atitudes diferentes". Depois dessa fala, para mim, ela já é uma pedagoga nata.

A nossa monografia está investigando sobre as práticas dos professores de educação infantil na promoção da leitura. O diferencial é que o nosso foco está no prazer em ler, na "formação" do eu-leitor, que vai um pouco além de atividades escolarizadas. Na análise das entrevistas pode-se perceber que grande parte dos educadores não são leitores. Muitos estudiosos são firmes ao dizerem que um educador não-leitor não conseguirá formar leitores. Outro ponto gritante foi a percepção de que a maioria das educadoras não sabem diferenciar gêneros literários. Esse fato, é claro, aponta para uma deficiência da educação brasileira, da qualidade da formação a qual somos submetidos, como também da falta de acesso ao livro. Através da comparação de respostas foi possível detectar o perfil não leitor das educadoras, pois aconteceram várias contradições entre as respostas, demonstrando também as características de suas metodologias.

Percebeu-se que os educadores leitores não lêem literatura brasileira. De dezenove livros citados durante as entrevistas apenas um era nacional. Os demais eram publicações de sucesso mercadológico e pertencentes as listas dos mais vendidos, como por exemplo: "A Menina que Roubava Livros", de Markus Zusak e "O Caçador de Pipas" do Khaled Hosseini.

As educadoras reconhecem a literatura e a leitura como fundamentais na aquisição de conhecimentos e para o lazer, mas não fazem a incorporação delas em seu dia a dia. Isso refletirá em suas práticas, pois um educador leitor falará a seus estudantes com maior propriedade e sensação de pertencimento. A escolha dos livros para mediação fluirá de forma adequada e este saberá introduzir a leitura de forma lúdica e não apenas para cobrar um produto final como desenho, redação, entre outros.

Caracterizar a práxis da leitura em termos de constatação, cotejo e transformação por parte do leitor nada mais é do que excluir qualquer aspecto opressor de uma mensagem escrita (ou do uso que se faz dela); é, ao contrário, colocá-la em termos de uma possibilidade para a fruição, reflexão e recriação. [...] (SILVA, 1997, p.113)
O lúdico deve ser uma prioridade na prática do professor, e através dessa ludicidade é possível trabalhar todos os aspectos cognitivos propostos pelos planos de aula, metodologias e currículos. Basta utilizar da criatividade, da escuta e da demanda apresentada pelas crianças. 

 SILVA, Ezequiel Teodoro da. Leitura e realidade brasileira. Porto Alegre, ed. Mercado Aberto, 1997.

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