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28 de nov de 2011

ENCANTANDO EDUCADORES E EDUCANDOS PARA O PRAZER DA LEITURA


"Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma delas, coloque-a sobre o nariz e a boca ajustando o elástico em volta da cabeça e depois auxilie os outros, caso necessário. Respire normalmente..."

 É dessa maneira que Márcio Vassalo iniciou a sua fala para o público da Mesa de Debate Sobre Políticas Públicas de Incentivo à Leitura Para Betim - PMLL. E essa introdução inusitada teve um intuito. Utilizando do famoso discurso realizado pelas aeromoças incansavelmente, Vassalo quis exemplificar as consequências de um discurso repetitivo, de uma fala automática. Chega um momento em que ninguém mais escuta o discurso da aeromoça, e o mesmo pode acontecer em um processo de mediação de leitura, quando este não possui um olhar voltado para o "se deixar seduzir, o se deixar levar pela beleza da arte, para a consciência da importância, porque é bom para mim e para o outro."

 Na minha opinião o ponto alto do evento foi a participação do escritor Márcio Vassallo. Já havia tido contato com algumas de suas obras para público infantil e juvenil, mas ainda não havia tido a oportunidade de assistí-lo numa mesa de debates. Sua fala teve foco na importância do encantamento pela leitura, ou seja, a condição de que mediador e público alvo estejam fortemente envolvidos no processo de leitura como prazer.

Como provocar o prazer pela leitura? Para ilustrar melhor esse panorama, Márcio volta sempre seu olhar e sua fala para a atuação e importãncia dos educadores nesse processo: as palavras encantamento, beleza, arte e sedução são proferidas diversas vezes, como uma representação do que ele deseja passar com seus dizeres, sua relação com a literatura. No decorrer da conversa, o autor procura sempre interagir com o público. Possui muito carisma e faz brincadeiras, o que é um forte aliado para desmistificação de eventos que usam palestras como ferramentas. Vassallo utiliza de referências palpáveis, casos pessoais para nortear seu discurso


O autor passou um pouco pela discussão "do que é infantil", "o que é ser infantil", no sentido da palavra em sí e das interpretações sociais construídas perante a noção de criança/infância. Conceitos que podemos ver muitas vezes, sendo reproduzidos em contextos onde se pretende dizer que algo é imbecil, "bobo", "imaturo" (pejorativamente), incompetente. 

- Ah, como você é infantil.
- Mas que infantilidade hein!

Esse estereótipo construído perante a criança e a infância reflete também na visão que algumas pessoas vem a ter da literatura infantil e de seus produtores. Por muitos a literatura infantil é vista como algo menor, "como se o infantil fosse um esboço de algo maior que está por vir". Em contradição a esse senso comum o autor defende a visão de que é observando o contexto infantil, produzindo literatura infantil de qualidade, que pode-se estabelecer uma [re]construção da própria da identidade, estabelecer um encontro com o que se tem de autêntico. Para Vassalo "o livro deve ser usado para se aproximar das pessoas e não devemos utilizar as pessoas para que o fim seja o livro... o fim é a pessoa e não o livro."

 Nesse audio do programa da Radio UFMG você conhecerá um pouco mais sobre o autor e sobre o livro "Professora Encantadora", um dos livros mais prestigiados de Vassalo:



Saiba mais sobre o escritor Márcio Vassallo AQUI 


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