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11 de dez de 2011

AMOR AO PRÓXIMO


Estou assustado. Abrí uma página da internet informando que a votação da lei de criminalização da homofobia (PLC 122 de 2006) havia sido adiada. Mas não é bem esse o motivo do meu susto. A votação foi adiada por motivos importantes e estratégicos para o rumo à vitória contra a VIOLÊNCIA, e sou a favor disso. O que me assustou foi ler sobre o posicionamento de lideranças evangélicas perante esse assunto. Tenho ciência de que não devo generalizar a intolerãncia à todos os religiosos e inclusive conheço e tenho amigos que disseminam suas crenças sem agressão ao livre arbítrio do outro, e que realmente são contra a violência em qualquer nível e a qualquer tipo ou grupo de pessoas.

Lideranças evangélicas puxaram um “Glória, glória, aleluia”, dando ares de culto à reunião, enquanto gays e simpatizantes, em minoria, rebatiam

E antes de expor minha opinião, deixo algo bem claro: não interessa se você acha natural ou anormal a homossexualidade, pois agora iremos falar de respeito e garantia de direitos.

Segundo a constituição todo ser humano é dotado de direitos e merece proteção. Todos já sabemos do preconceito sofrido pelos homossexuais e das violências a que os mesmos são submetidos, o que justifica a necessidade de uma lei que os proteja. Um dos argumentos usados pelos manifestantes contrários à lei da homofobia é a de que a Constituição já garante os direitos e a proteção a todos, mas precisamos entender que assim como o racismo, a homofobia também precisa ser olhada com atenção e enquadrada em uma lei diferenciada, pois os fatos que justificam sua existência não são isolados e são reflexo de todo um contexto social e histórico de repressão, assim como devido a grande incidência de crimes contra a mulher nasceu a lei "Maria da Penha". Outro argumento utilizado é o de que a PLC 122 amordaça o direito de expressão, o que eu entendo como: "amordaça o direito de instituir um grupo grande de pessoas como anormais e promíscuas, e o direito de você chamar um homossexual de veado, boiola, sapatão e incitar o preconceito direcionado e intolerante ao gays durante os cultos." Em muitos lugares, inclusive em algumas regiões do Brasil os homossexuais são assassinados pelo simples fato de que alguém não concorda com sua condição sexual. Isso realmente é justo?


Então, a partir dessa demanda a lei de criminalização da homofobia está em discussão calorosa no Congresso. Eu não entendo qual a dificuldade de se entender que todo ser humano tem o direito à vida. E me assusta ainda mais tanta intolerãncia vir de um segmento religioso que prega o nome de Deus e o amor ao próximo. O que se espera dessa lei é só a proteção à vida, ao respeito, à liberdade. Não é um privilégio.

Para mim um religioso, assim como qualquer cidadão pode sim discordar de um modelo de vida homoafetiva, mas barrar seus direitos nunca. Um religioso que se posiciona contra a criminalização de uma VIOLÊNCIA, simplesmente está consentindo com a mesma. É o mesmo de estar dizendo que "os negros devem ser respeitados, as mulheres também, assim como os idosos e as crianças, mas os homossexuais não, esses não são dignos de proteção." E se a constituição está aí para proteger todos os seres humanos, negar proteção aos homossexuais é o mesmo que não considerá-los seres humanos.

Onde está o amor ao próximo de nossos religiosos? Que lei é essa que rege esse tal amor? Ela vai depender se o próximo da fila partilha das mesmas opiniões que a sua? Se a religião e a Igreja começarem [retornarem] a fazer acepção de pessoas o que restará de esperança para aqueles que se fiam na fé? Não há lugar para homossexuais na Igreja? Estamos diante de uma homofobia religiosa?

“Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores.” (Tiago 2:9)

Eu quase sempre termino meus textos com perguntas e nesse caso o meu sentimento é de uma grande dúvida, realmente. Enquanto líderes evangélicos dão "Glória Glória Aleluia" por mais um segmento da sociedade não possuir um meio legal de se defender da agressão física e moral, milhões e milhões de jovens dentro e fora das igrejas estão tendo suas personalidades dilaceradas por pessoas, muitas vezes sem instrução acadêmica, pedagógica, psicológica e até mesmo religiosa, que as fazem acreditar que são conduzidas pelo "mau" e simplesmente não enxergam o mal que eles próprios poderão causar à toda uma geração.

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