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27 de jan de 2012

DE UMA TAL DAISY PARA UM CERTO MÁRIO



Aos poucos estou compondo meu tesouro particular. Acabo de adquirir para meu acervo dois títulos clássicos da literatura brasileira e de duas personalidades que figuram em análises, teses e documentários pelo mundo afora. Esses dois livros vieram parar em uma postagem por não se tratarem de uma edição qualquer. Um deles é um exemplar de 1940 de ninguém menos que Machado de Assis com seu enigmático Dom Casmurro. E para deixar tudo mais poético o livro possui uma dedicatória de uma tal Daisy para um certo Mário, com ares de paquera, ou quem sabe até namoro consolidado. Um flerte sutil, um flerte de 1944.




Mário: Numa capa de livro, como no nosso rosto, nem sempre podemos deixar transparecer o que nos vai no íntimo do coração. Mas V. saberá lêr o que não está aqui e saberá sentir tudo quanto desejo para V., para nós dois. Carinhosamente, Daisy. 7 de outubro, 1944


Aqui a relação com o livro vai para muito além da história de Machado de Assis, pois passei a imaginar a história de Daisy e Mário. Deixei Capitú e Bento Santiago de lado por um instante, e a preocupação se Capitú traiu ou não deu lugar à curiosidade de quem seria esse casal de uma dedicatória que fora escrita a 68 anos atrás. Machado de Assis me presenteou com especulações. Daisy e Mário também. Dom Casmurro tornou-se um livro de mistério em uma nova versão única e rara que é só minha.

Em 2002 recebí um presente muito especial de uma professora que posso dizer que foi a principal culpada por eu ter me encontrado enquanto leitor. O livro era (é) do João Guimarães Rosa. 'Grande Sertão: Veredas'. E o livro não veio sozinho. Chegou com uma carta que me emociona ainda hoje e como nesse livro do Dom Casmurro que mostro hoje para vocês, aparece uma assinatura. Orofino é o nome do possível primeiro dono e a carta da professora termina assim:

Não se esqueça de marcar a obra com o seu nome. Assim, faremos nós três (eu, você e o Orofino) parte de uma mesma saga.
 A ironia e a intertextualidade do texto de Machado de Assis tomaram corpo, saíram do livro e levaram-me a recordar de um fato do meu passado e enfim sentir à flor da pele um sentimento "literalmente literário". Gozei de cada parte do livro. Da dedicatória à trama. 

Hoje entendo perfeitamente o que a minha professora queria dizer.


P.S.: quanto ao segundo título adquirido, acho melhor conversarmos depois.

1 comentários:

Santiago Régis at: 28 de janeiro de 2012 09:33 disse...

Caso lindo!
Fico pensando nos meus livros. Praticamente todos eles vieram de presentes do meu amado. Todos eles devidamente dedicados em romance. Quem os lê depois que não forem meus, terá esta mesma curiosidade?

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