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24 de jan de 2012

PERSONALIDADE: A PEDAGOGIA ANTI-TECNICISTA DE MICHAEL APPLE


A qualidade das relações sociais depende de nossa conscientização. Se tem uma figura fundamental nesse processo, é o profissional da educação. É óbvio que essa não é uma "missão" somente do educador, mas este acaba por atrair para sí grandes responsabilidades por atuar em ambientes de socialização. Existem por aí vários pensadores que aliam seus conhecimentos à teorias educacionais inovadoras e que procuram sempre pensar no indivíduo como ponto de partida das metodologias e não o contrário, e são com pensamentos assim que conseguiremos criar formas eficazes de sensibilizar, seduzir e auxiliar os indivíduos rumo à dignidade e à cidadania.

Essa semana lí textos muito interessantes sobre um pensador chamado Michael Apple. Michael Whitman Apple é natural de Patterson (EUA). Nasceu no dia 20 de agosto de 1940. Sua juventude foi marcada por militância em prol de movimentos políticos da esquerda radical nos Estados Unidos, lutando por uma sociedade justa.  É descendente de russos e possui uma origem humilde. Seu trabalho possui um olhar voltado para a periferia, portanto consegue estabelecer parâmetros que analisam situações em que educação e sociedade se relacionam de forma reveladora. Michael transitou também pela esfera acadêmica erudita, portanto, pôde ampliar ainda mais seu olhar sobre as situações que envolvem educação, realidade e comportamento. 




O autor publicou alguns livros que entraram para a lista de livros essenciais ao educador reflexivo, como “Ideologia e Currículo”, “Educação e Poder”, “Professores e Textos”, “A Escola Democrática”, “Educando à Direita”, “Política Cultural e Educação."

Uma das grandes discussões da Pedagogia está na funcionalidade, funcionamento e importãncia do currículo. Esse tema vem ganhando maior espaço desde 1997, com as discussões dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's) onde os estudiosos procuram buscar o porque de se dedicar a essa ou aquela metodologia dentro do currículo, e quais seus desmembramentos para o alcance dos objetivos. Nesse ponto Michael trouxe diversas análises. 

De acordo com a teoria desenvolvida por Michael, o Currículo não é uma mera colagem objetiva de informações, pois estas são sempre frutos de determinados agrupamentos sociais, que decidem o que será transmitido nas salas de aula. Desta forma, não é fundamental saber como o conhecimento será disseminado, mas sim qual saber, e porque este e não outro. Assim, o educador propõe questionamentos alternativos e coloca em xeque o modelo tecnicista.

A grosso modo o currículo seria o plano de ensino que o educador precisava seguir, ou seja, conteúdos. Historicamente esse conteúdo era estático e nada flexível, cabendo ao educador reproduzir uma "programação". Michael vem contestar essa realidade e propor reflexão ao dizer que:

O Currículo nunca é simplesmente uma montagem neutra de conhecimentos, que de alguma forma aparece nos livros e nas salas de aula de um país. Sempre parte de uma tradição seletiva, da seleção feita por alguém, da visão que algum grupo tem do eu seja o conhecimento legítimo. Ele é produzido pelos conflitos, tensões e compromissos culturais, políticos e econômicos que organizam e desorganizam um povo. (APLLE, 2000: p. 53)

Apple analisa o currículo de um ponto muito interessante, colocando-o como uma relação de poder. Ao se definir um cronograma de apresentação do conhecimento, está se decidindo qual assunto é mais relevante para a formação, o que culminará no "tipo" de indivíduo que estará sendo "formado" diante de tais conteúdos. O público alvo estaria a mercê do bom senso da instituição responsável pela elaboração do currículo, e condicionados a receber informações que previlegiam um certo segmento da sociedade ou idéias individuais. Só o currículo calcado na realidade, que será alcançada através do diagnóstico, da observação, avaliação e escuta do dia a dia a quem se pretende ensinar, poderá compreender os sujeitos envolvidos e partir de pontos que façam sentido e que sejam úteis para a formação da dignidade dos alunos.


Fonte: A Pedagogia Crítica de Michael Apple 
Cinco Princípios para uma Escola Democrática 
Dez motivos para ler 'Educando à Direita' de Michael Apple

APPLE, Michael W. Política Cultural e Educação. São Paulo: Cortez, 2000.

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