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13 de abr de 2012

EU SOU MUÇULMANO RADICALMENTE



Uma conferência islâmica na França está dando o que falar. Sarkozy disse com precisão: muçulmano radical aqui não entra. O medo do terrorismo mandou às favas a diplomacia. O 11 de setembro se transformou em um daqueles acontecimentos que redefinem questões de segurança nacional, e assim como a invenção da roda, a queda de Constantinopla e a Semana de Arte Moderna, poderá ser visto daqui umas décadas, em livros didáticos, quer dizer, nos e-books, como o marco transitório de uma época ou período.

Proteção. Eis a nova questão. A favor de quem é o que todos queremos saber. Proteger-se ganhou status de guerra, e como sabemos, ambos os lados saem perdendo. Seja analisando a nível de país, seja analisando a nível do bairro aonde você mora a nova lei vigora. Andamos com nossos sensores de perigo em alerta e somos levados a achar que sabemos exatamente se este ou aquele pode ser um risco a nossa estabilidade física, financeira e psicológica. Essa liçao "aprendemos" com esmero para a manutenção da sensação/ação de poder.

Garoto negro, "mal vestido", com este ou aquele apetrecho - segura a bolsa com força para não perder dinheiro e documentos. Nariz adunco, pele morena, talvez um turbante na cabeça, alcorão - é muçulmano terrorista com certeza.


Quando lí a notícia sobre essa medida de segurança, o primeiro pensamento que veio a minha cabeça foi: "como se as pessoas andassem por aí com uma camiseta escrito 'eu sou muçulmano radicalmente'. É como se nossos jovens de periferia andassem por aí com uma daquelas camisas da famosa campanha: "eu amo BH radicalmente", só que com a mensagem "eu sou marginal radicalmente." Uma outra forma de análise poderá beirar a xenofobia e utilizar de questões culturais e genéticas só servirá para fomentar o ódio, a utilização de rótulos, a padronização.

Feliz daqueles que já nasceram com rótulos "aceitáveis" como "eu sou rico radicalmente", ou "eu sou cristão radicalmente". Que sabem exatamente como se manter radicalmente no poder e assim fixar os rótulos e portanto não estão condenados a serem marginais, homens bomba, os vilões com quem se luta no final.

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