HORA DO BRINQUEDO

Jogos Infantís de Pieter Bruegel - 1560

Se você se dedicar a parar um pouco e observar uma criança brincando ou até mesmo brincar um pouco com ela, você perceberá a intensidade que esse ato possui em suas representações. De quatro no chão se transformam em monstros que rosnam e são bravos, rolam de um lado para o outro, voam como super heróis, correm atrás do bandido, imitam a professora na frente da lousa. Por algum motivo a palavra brincadeira ganhou um ar de informalidade que colocou em cheque seu caráter formativo, informativo e cognitivo, mas o brincar é um ato mais do que necessário na formação de uma criança.

Através da brincadeira a criança começa a perceber-se no mundo enquanto sujeito e sua relação com ele. Ao brincar de professor, de motorista, de médico, de reproduzir a profissão de seus responsáveis, começa a interagir com o meio através da representação. O brincar é um meio de estimular o desenvolvimento social, cognitivo e afetivo.
Muitos psicólogos, filósofos educadores, entre outros, tentaram definir brinquedo. Cada nova definição soluciona alguns dos problemas das anteriores, mas ainda existem dificuldades na distinção entre as brincadeiras e as outras atividades. Nós não temos critérios claramente definíveis, observáveis e universalmente aceitos para determinar se uma atividade é ou não brincadeira. Ela pode ser considerada assim em alguns ambientes e em alguns momentos, e não ser brincadeira em outros.
Se por um lado a brincadeira demorou a ser levada a sério enquanto algo estimulável nas séries iniciais, por outro enfrentamos hoje o desafio de que as crianças mais jogam do que brincam. Isso não quer dizer essencialmente que o jogo não é uma brincadeira, mas a modernidade e a tecnologia  trouxeram modelos de jogos que muitas vezes não estimulam aspectos importantes como o trabalho com o corpo, a socialização e a brincadeira ao ar livre. 

É óbvio que a intervenção do educador ou dos responsáveis é importante nessa fase. Tudo deve ser feito com o máximo de cuidado e respeito à etapa de cada criança. Piaget, um dos principais teóricos que fala obre o desenvolvimento da criança dizia que: 
"O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil".
 São várias as concepções que se propõem a discutir, analisar, criticar e construir um pensamento perante o brinquedo. No mais o importante é: brinque e deixe brincar.


PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
SPODEK, Bernard; SARACHO, Olívia. Ensinando crianças de três a oito anos. Porto Alegre: Artmed Editora Ltda, 1998.

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