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24 de set de 2012

DESENHOS ESTEREOTIPADOS


Ao sair com minha prima para comprar roupas, ficamos encantados com um modelo infantil que estava exposto na vitrine. Uma espécie de vestido rosa com a representação de uma princesa a la Disney. Pegamos a peça de roupa, analisamos, realmente ficaria linda numa criança de nove meses de idade. Então minha prima diz:

- É linda, mas não vou levar, queria que minha filha tivesse a oportunidade de conhecer outras imagens e outras cores que não fossem rosa. Acho que isso será importante para a formação dela.

Fui para casa refletindo sobre esse acontecimento e em como minha prima chegou a um pensamento pedagógico interessante. Em quatro anos de graduação ví poucos colegas de formação chegarem a reflexões desse tipo.


Os desenhos estereotipados estão em toda parte. Na escola então são quase que obrigatórios. Eles vêm atender a necessidades de  professores e diretores que acreditam que é o que os pais desejam ver nos murais, paredes e trabalhos de escola. E é o que eles querem ver. Uma escola lúdica é uma escola que aposta na decoração. Mickey, Minnie, Garfield, Backyardigans: é isso mesmo que as crianças querem ver?

“O estereótipo é a [imagem] repetida, fora de toda a magia, de todo entusiasmo: como se fosse natural, como se por milagre, essa [imagem] que retorna fosse a cada vez, adequada por razões diferentes, como se imitar pudesse deixar de ser sentido como uma imitação. Imagem sem cerimônia que pretende a consistência e ignora sua própria insistência”. (Roland Barthes in “O Prazer do Texto”)
 Já possuímos  um mercado que bombardeia nossas crianças com mensagens de consumismo nas revistas, na tv, nas lojas de brinquedos e até mesmo nas músicas. A escola deve ser um ambiente que anda na contra mão dessa realidade. A citação acima deixa claro a importância de que a imagem retratada faça sentido para a criança ou que pelo menos colabore com a inserção da criança no mundo da diversidade.

Além de fazer sentido é importante que a criança explore sua própria imaginação (criação). Os desenhos estereotipados limitam esse tipo de trabalho, pois as crianças passam a imitar, utilizar essas imagens como referência.


O momento do desenho livre é uma alternativa rica para o educador que pretende dar vazão a imaginação das crianças. 


Em muitos casos são os professores que precisam se preparar para trabalhar a imagem com as crianças. 

"Ao se descobrirem como seres criadores, os professores passam a acreditar no potencial criador de seus alunos e a oferecer-lhes maior espaço para expressão." 

Precisamos de profissionais que reconheçam a importância de valorizar a produção das crianças, pois toda produção infantil vai de encontro ao capital cultural já adquirido em seus anos de vida e nos ambientes em que vive.

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