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17 de set de 2012

TRAGO SEU AMOR. PAGAMENTO APÓS RESULTADO



Belo Horizonte, Avenida Cristiano Machado. Uma das vias mais conturbadas da capital. Corredor entre o centro e o aeroporto. Eis que em meio ao caos e estresse do trânsito conturbado me vejo enredado em uma história sobre amor.

 TRAGO SEU AMOR
 PAGAMENTO APÓS RESULTADO

Em vários pontos é o que se lê. Deixei de enxergar os cartazes das operadoras de telefonia, dos políticos em campanha eleitoral. Esquecí do anúncio de faculdade oferecendo um tablet no ato da inscrição como se isso fosse de graça e passei a me perguntar: Mas como assim? Que tipo de trabalho é feito para tanta eficiência? Ou seria audácia? Quem é essa mulher?

Claro, fomos educados a acreditar que só uma mulher poderia estar por trás de tal façanha. Todo esse clima de mistério já fez com que eu criasse mentalmente uma tenda indo do roxo ao vermelho, à meia luz, e uma mesa com uma toalha no mesmo tom, bola de cristal brilhando e uma mulher enigmática do outro lado, observando com olhar fixo e cheio de lápis creón. De turbante, é claro.

Pronto, essa passou a ser a minha rota diária. Do início da Avenida ao meu destino conseguí contabilizar quatro anúncios parecidos, em letrais garrafais. Anotei o número do telefone. Não estava interessado em trazer meu amor de volta, pois afinal bastaria a mulher de turbante pagar uma passagem de avião. E isso seria muito fácil. Ela deve gostar é de amores acabados, lares destruídos, afinal ela é uma profissional e isso é bom para o curriculum.

Se existe algum tipo de contrato, como será? 

"Pelo presente instrumento particular de prestação de serviços, fica acertado que o objeto do presente contrato é a prestação de serviço do Contratado(a) a Contratante, visando prestar assessoramento na área de relacionamento amoroso, estando o pagamento liberado após o objeto estar de posse do Contratante e dizer o primeiro 'Te Amo'".

Bom é que o PROCON não precisa entrar nessa história. Primeiro que quem entra com o pedido já conhece o que está comprando, e segundo - se a mandinga, feitiçaria, hipnose, ameaça, ou seja lá o método utilizado não der certo ele não precisará pagar. Ponto.

Se eu liguei para lá? Não, eu não liguei. Gastei muitos dias criando hipóteses mirabolantes sobre esse anúncio e se caso eu descobrir que  é uma intervenção urbana ou uma estratégica genial de marketing eu ficaria muito decepcionado. E espero nunca precisar contratar os serviços da mulher de turbante.

1 comentários:

Santiago Régis at: 17 de setembro de 2012 15:48 disse...

Se depender do seu amor, acho que não necessitará ligar para a enigmática mulher de turbante ;)

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