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16 de out de 2012

O QUE A FRIDA VIU NA ÁGUA



Texto elaborado na disciplina 'Oficina de Textos e Gêneros Textuais' do curso de pós graduação 'Mediação em Arte, Cultura e Educação' (Escola Guignard). O desafio era construir um pequeno texto sobre uma obra semiótica de nosso interesse, a partir das próprias percepções e entendimentos.


Em "O que ví na água" (1938) temos a impressão de estarmos imersos em uma banheira em pleno momento do banho. A própria  perspectiva da pintura permite essa interpretação. É como um cochilo, a entrada no processo de um sonho alheio: o sonho real de Frida. A pintura é um mergulho, uma retrospectiva de vida e obra. Uma linha tênue entre sonho e realidade, utilizando de elementos que sempre fizeram parte da produção da artista.

"Pensaram que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade"

Foi a resposta de Frida Kahlo para quem pretendia interpretar ou definir seu trabalho do ponto de vista surrealista. 

Na água. Estão todos lá. Todos os elementos que marcaram a obra de Frida e que vão de encontro a sua própria vida. O acidente que a manteve refém da dor por toda a vida e que está representado por um pé ferido, no alto, regendo dalí para a frente seus passos. O acidente se reflete na água assim como as pernas ao fundo da banheira, sustentando a artista, a mulher, e as telas rentes ao chão. O aborto traumático, a família genealogicamente representada, o choque cultural sofrido no período em que viveu nos Estados Unidos, a crítica social.

''Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''

É como se a banheira branca fosse a vida e os elementos representados na água uma reflexão do que a vida lhe deu.

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