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7 de out de 2012

SEMPRE VOTEI ERRADO



No meio dessa crise ética e política que está deixando os brasileiros desolados, fazendo com que tudo mundo se pergunte não apenas em “quem” votar, mas indagando-se até se “ vale a pena” votar, dentro desse desconsolo cívico ocorreu-me um pensamento ainda mais perturbador. Pois carpindo uma “mea culpa”, exercitando a auto-punição, de repente, me vi ruminando uma frase dolorosa: “ é, na verdade, sempre votei errado!”.

Minha historia eleitoral é antiga. Tenho a impressão de que a primeira vez que votei – e isso já faz tanto tempo, algo do século passado!- foi no Marechal Lott. Era um homem íntegro, botou a tropa na rua e garantiu a posse de JK. Votei nele, porque não dava para votar no Jânio. Este agitava aquela vassoura da moralidade como uma bruxa e deu no que deu. Depois de seis meses, tomou um porre, tentou dar um golpe e acabou deixando o governo nas mãos de Jango. Se bem me lembro, havia votado no Jango para vice. E deu no que deu. Da mesma maneira que errei votando no Lott, que não ganhou, errei votando no Jango que ganhou. No seu rastro de seu frágil governo tivemos vinte anos de ditadura. Aí ninguém mais pediu meu voto.

Veio a abertura, Trancredo, Sarney, Fermando Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma. Quando eu acertava no voto, o candidato eleito virava outra pessoa, porque o poder é perverso e transformador.
Daí, que, como dizia ao princípio, fui levado, entre lágrimas de mortificação, a pensar: sou um tonto, um desmiolado, sempre votei errado. Meu bons candidatos não ganharam. Os que ganharam me decepcionaram. Então, parei, reconsiderei: não votei tão errado assim. Eles, sim, é que andaram me enganando. Falam uma coisa na campanha, mas ao chegar ao poder a prática é outra.

Affonso Romano de Sant'anna

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