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23 de jul de 2013

HOMEM QUE É HOMEM NÃO CHORA?



Meninos já nascem engolindo estereótipos. Só é permitido o choro após a palmada do médico e a partir daí "homem que é homem não chora". O machismo ainda é tão eminente na maioria das sociedades porque vem sendo cultivado por pequenas e grandes ações "justificadas" pelas questões de gênero.

A imagem acima é linda e raríssima de se ver. Meninos aprendendo a cuidar de bebês. Coloquei essa imagem à prova da reação de alguns adultos e é assustador perceber o incomodo causado. A preocupação gritante é a homossexualidade. As pessoas ainda acreditam que a homossexualidade é ensinada, o que mostra um grande desconhecimento do assunto e ao mesmo tempo apresentam um sexismo retrógrado que coloca no colo das mulheres todas as responsabilidades da casa e dos filhos.

Sempre me preocupou a forma como as questões de gênero são tratadas na escola. Durante toda a minha vida escolar, foram raras as vezes que um educador propôs um debate reflexivo e na maioria dos casos esse assunto se quer era colocado em pauta. Infelizmente a escola e os professores apenas reproduzem os estereótipos já vigentes. Brinquedos de meninas, brinquedos de meninos. Na educação física as meninas para um lado e os meninos para o outro, como se seus universos só pudessem convergir para relações amorosas e sexuais.

Escolas particulares ou públicas não conseguem equacionar no cotidiano questões como essa. Pais, educadores e alunos aceitam tudo com normalidade, como indica uma pesquisa do Ministério da Educação (MEC) divulgada em 2010. Ela aponta que, na escola, o preconceito de gênero manifesta-se com mais força do que todos os outros, inclusive de cor e opção sexual. O estudo, produzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe-USP), revelou que cerca de 20% dos alunos passaram por situações ou presenciaram cenas em que alguma menina foi humilhada pelo simples fato de ser menina. No ensino médio, quase metade dos 15 mil alunos ouvidos afirmam que certos trabalhos só podem ser realizados por homens. Para 52,6% dos entrevistados (além dos estudantes, pais, professores e funcionários), lavar a louça e cuidar das crianças são tarefas que cabem somente à mulher.

 Se os professores não estão preparados para esse desafio, o que será de nossas crianças? Como evitar que uma criança se torne preconceituosa em uma sociedade que cada vez mais repudia esse tipo de pensamento? A maioria dos estudiosos defendem que o segredo está na família e particularmente creio que família e escola precisam estar em congruência para tratar desse fato. No que diz respeito à escola um passo importante estará no investimento em formação dos gestores da instituição e de seu corpo docente para lidar com as diferenças em uma sociedade que é plural.

Algumas dicas:

· Fique sempre atento ao comportamento do seu filho, evitando que ele cometa atitudes preconceituosas;

· Conheça profundamente a instituição em que ele estuda e os métodos empregados pelos professores;

· Para os meninos, incentive a realização de tarefas simples como lavar louça, arrumar a cama e outros serviços domésticos;

· No caso das meninas, estimule a participação de atividades como jogar futebol ou outras tarefas ditas "masculinas";

· Em brincadeiras, incentive a realização de tarefas coletivas, que envolvam tanto os meninos como as meninas.


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