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26 de fev de 2014

SOB A REDOMA



Apesar do nome Stephen King não ser nenhuma novidade para mim e todas as demais alcunhas e elogios que o seguem, confesso que nunca havia lido um livro do autor. Como televisão às vezes media leitura, fiquei tentado a ler o livro "Sob a Redoma" depois de assistir a primeira temporada da série "Under the Dome" pelo canal CBS.

"Era um dia como outro qualquer em Chester's Mill, no Maine. Subitamente, a cidade é isolada do resto do mundo por um campo de força invisível". Assim nos conta a sinopse do livro que no Brasil foi lançado pela editora Suma de Letras e é assim também que começa a história do seriado de TV. Fui fisgado pelo impacto: redoma, isolamento, sobrevivência. Fui seduzido pelo "como assim" e pelo "e agora?". Terminada a primeira temporada precisava desesperadamente saber a continuação da história. Comprei o livro.
 
A narrativa de King chama atenção logo nas primeiras páginas pela forma como vai descrevendo a aparição da redoma e como as personagens vão sendo apresentadas. São mini capítulos fantásticos que conseguem transmitir todo o susto, estranheza e consequências que uma barreira invisível pode trazer. Um animal é cortado ao meio, um avião se choca contra a redoma assim como automóveis, pessoas morrem e famílias são separadas.

A partir daí os habitantes da cidade de Chester's Mill se veem diante de um louco mistério ao longo de quase mil páginas de uma história que se passa em uma semana. Como pano de fundo a tirania de um vereador com sede de poder, fundamentalismo religioso, drogas, racionamento de energia e alimentos, fenômenos climáticos e as surpresas que confinamento e medo podem provocar na natureza humana.

Sob a Redoma é um livro que se não nasceu com o intuito comercial conseguiu vestir muito bem a carapuça. Não que isso seja somente negativo, inclusive digo que é um livro que vale a pena ser lido, mas nos traz aquela impressão que já estava visando o cinema ou a televisão por conta de uma lista de clichês característicos dessas linguagens. Personagens são muito bem divididos nas facções bem e mal, sendo que os maus são muito maus mesmo. Explora bastante da ação e de casos de assassinatos em sequências bastante violentas no modo de narrar.

A história consegue uma aproximação do público jovem ao fazer referências a produções atuais como Harry Potter e a bandas de rock como LCD Sound System. A linguagem também é bem direta e calculadamente descompromissada, indo do terror ao humor numa troca de linha e às vezes até fazendo uma junção incômoda do cômico e do drama. Os capítulos curtos conseguem prender a atenção do leitor por sempre deixar a resolução de acontecimentos importantes para daqui dois capítulos.

Particularmente peguei um pouco de birra da série de TV após a leitura do livro. Os caminhos escolhidos pelos produtores destoam completamente do livro e não são apenas pequenas adaptações para o formato TV, mas sim modificações que já me deixam dizer com toda a certeza que a conclusão da série será completamente diferente da impressa, e o mais estranho é que o próprio King permitiu essa alteração brusca de sua obra já que é um dos produtores executivos da série.

A expectativa que temos ao iniciar a leitura é de encontrar uma análise psicológica que explore a questão do isolamento do mundo, do fato de estar sob uma redoma, ou uma metáfora que nos leve de encontro à questões existenciais, mas fica nítido lá pelo meio do livro que o autor não seguirá por esse norte, ou talvez isso tudo esteja lá tão subentendido a ponto de alcançar a não percepção.
 
King escolhe a violência humana, o homem como lobo do homem como principal referência para o desenrolar do romance e as demais explicações e interpretações tão aguardadas e já meio explícitas desde os primeiros capítulos acabam pousando na ficção científica pura e simples (nas devidas proporções). Depois de passar uma semana e meia sob a redoma repito: é um livro que vale a pena ser lido pela adrenalina que oferece.

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