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8 de jul de 2014

POR UM SISTEMA DE ENSINO FUNCIONAL


Há um mês recebi um texto na fanpage d'O Pedagogento e fiquei feliz pelas palavras ali escritas. A Bruna de Oliveira, leitora do nosso blog, é uma jovem que conseguiu expor suas dúvidas e senso crítico sobre o sistema de ensino atual e acabou por fazer um panorama rico sobre a funcionalidade do ensino hoje. A Bruna permitiu que eu publicasse seu texto aqui no blog para vocês. Boa leitura.


POR UM SISTEMA DE ENSINO FUNCIONAL (Bruna de Oliveira)

''Lá vem eu reclamar da escola de novo. Sim, aqui estou eu para reclamar e dar opinião onde meu dedo não é bem-vindo. Pois bem, minha escola pode ter ótimos professores (de fato tem), mas estes não podem mostrar suas capacidades de forma inteira e nem podem mudar, ou melhor, não tentam mudar o que está errado lá dentro.

Não é só a minha escola que precisa de uma reforma daquelas no quesito sistema educacional, todas precisam, todas estão cada vez mais deixando a desejar e criando alunos, professores e pais acomodados. Acomodados em um país onde tudo que é ruim pode se tornar aceitável se deixarmos de pensar que aquilo poderia ser melhor. É muito mais fácil cruzarmos os braços diante de problemas e esperar que em um mundo com bilhões de pessoas, alguém terá de fazer algo e não nós mesmos.

A escola preza pelo nosso aprendizado. Mas como aprenderemos algo que não nos faz sentido? Eu sei que é demorado fazer uma introdução sobre cada conteúdo novo, mas deveria ser feita. Claro que os professores falam uma coisa ou outra, mas há vezes que aquilo é insuficiente. Eu tento prestar a atenção em todas as aulas, entretanto, existem momentos que não sei qual é o sentido de estar aprendendo aquilo... então, eu simplesmente não aprendo. Só ouço e absorvo, depois esqueço. Não há uma degustação e vontade de correr atrás de saber mais.

“Nossa, Bruna, sua ignorante! Sua má aluna.’’ – Não é questão de ser má aluna e ignorante, não é questão de desinteresse como muitos professores chamam, é a ausência de sentido. Se algo não faz sentido para você, se aquilo não te despertou curiosidade, se aquilo não te acrescentou algo, por que querer saber mais? É igual fofoca. Fofoca pode parecer legal para os seres humanos, mas o que vai mudar na sua vida saber da vida de outros? Nada. Fora que a maioria das fofocas são coisas ruins sobre terceiros. Coisas boas ninguém quer passar adiante. Nós deveríamos utilizar e seguir as três peneiras de Sócrates.

Quando eu era menor, eu via Química como algo encantador. Aí quando comecei a ter aulas de Química, surgiu o desencanto. Ao contrário do que eu pensava, estudar Química não era fazer experiências, misturas malucas e saber de coisas misteriosas; estudar esta matéria era decorar fórmulas, aprender na marra teorias e prestar atenção em aulas monótonas, sentada em uma cadeira, com os braços apoiados na carteira e ficar lá até bater o sinal. Ou seja, meu interesse por Química foi por água abaixo.

E tem também a famosa Física, precisa dizer que o desencanto foi o mesmo? Foi. Física sem experiências, sem sair da prisão que a sala de aula significa. Aulas práticas? Aulas em outro lugar que não fosse a sala ou a escola? Não. Sempre presos no interior de quatro paredes, ouvindo mais teorias e não gostando nada delas. Eu sei que existem pessoas que amam estas matérias. Sei que tem gente que gosta de exatas e não se importa de ficar sentado até a bunda doer. Mas igual o meu namorado disse: ‘’ O professor tem o mundo todo para explorar e ensinar, mas não saem da sala de aula.’’ Pois é, e nós alunos acreditamos que eles não saem com a gente na rua por sermos assim... sem educação.

‘’Alunos na rua não se comportam, a gente passa vergonha com eles.’’ Professores usam MUITO esse tipo de frase entre eles e até na nossa frente. Ok. Não se comportam porque é algo diferente, ao qual não estão acostumados. E pensem: Um animal que quer a liberdade mais do que tudo, mas vive enjaulado, quando sair de sua prisão vai querer fazer coisas que o façam se sentir livre de verdade.

A escola não percebe, mas ela não permite que nós, alunos, encaremos a vida. Esses dias na escola, na hora do intervalo, veio uma frase na minha cabeça, anotei no bloco de notas do meu celular. A frase foi: Quando você está na escola, você não encara a vida, você a vê por trás das câmeras.
O que está faltando é diversidade, formas de ensino diferentes. Criatividade. Isso é o que falta nos professores de hoje em dia. Falta vontade de serem bons. Perdoe-me, mas você não será uma boa professora se ensinar gritando. Não será um bom professor se entrar e sair carrancudo da sala de aula. Tem muita gente que pensa: “Já que não posso ser amado, então serei temido.’’ Parabéns! Parabéns mesmo. Mas ninguém vai conseguir e nem ter vontade de aprender com você.

Agora vamos falar dos absurdos, né? Eu tenho uma professora que fala que somos todos desinteressados. Tudo bem. Mas me pergunte se ela chega feliz na sala de aula. Não, ela chega com um desânimo de dar raiva. Você vai ficar louco de vontade de aprender quando vê que a pessoa que vai te ensinar está com cara de quem mal chegou, mas não gostou dos resultados de uma prova que ainda não aplicou? ‘’A culpa é de vocês, alunos.’’ Pode até ser, pode mesmo. Mas já que os professores são os todos poderosos, por que não dão a volta por cima e façam com que tenhamos interesse?

Além desse tipo de situação existem pérolas e ignorâncias aos montes. Por parte de quem? Pessoas estudadas, educadores e vividas. Um dia, a professora falou: “Só entra em universidade boa aluno bom, aluno que tem capacidade para passar e sobreviver lá dentro. Aluno ruim pula de curso em curso, acaba desistindo e vai vender cachorro quente na esquina.’’ Juro que eu só não chorei porque minha raiva foi maior do que tudo. Isso o que ela disse foi de uma filosofia invejável, aposto que a própria Valesca Popozuda ficou morrendo de raiva por não ter pensado nessa tese antes. Vou explicar tudo o que passou na minha cabeça quando ouvi isso:

Não precisamos nos matar de estudar e sermos os melhores alunos para irmos bem em uma prova de vestibular e entrar em uma boa universidade. Eu sempre pensei comigo que para passar no vestibular necessitamos de três coisas: Psicológico preparado, saber o suficiente e sorte.

Aluno ruim não existe. Até pessoas consideradas gênias iam mal na escola, tiravam notas ruins ou medianas, mas eram muito inteligentes. Ter dificuldades em alguma matéria não faz de você uma pessoa burra. Eu mesma demorei para me convencer de que eu ir mal em exatas não faz de mim uma inútil. Cada um tem suas habilidades, e sério mesmo? Não vejo sentido em números.

Como uma educadora, uma pessoa estudada, vivida e mãe, ela não deveria desprezar profissões. Quando desprezam os professores, eles se revoltam, mas eles mesmos fazem piadinhas com a profissão deles e desprezam outras. Para né!?
A pessoa pode muito bem ficar rica vendendo cachorro-quente. Quem disse que é todo mundo que sabe fazer lanches e cozinhar bem? Além do mais, quem tem lanchonete pode ganhar mais do que quem se forma em uma faculdade de nome.

Ela pisou na bola e caiu no meu conceito assim como tantos outros professores.

Aprender requer mais do que ouvir, fazer. Aprender requer reflexão. Aprender requer sentido. E são poucos os professores que nos transmitem um sentido. Mais uma vez, viva aos pensadores! Viva a Filosofia. Essa matéria pode com toda a certeza formar pensadores e o mais importante: Cidadãos. Porque a escola em modo geral, só está conseguindo formar pessoas padronizadas, fazer pessoas ser bolo da mesma fôrma. E disso... o nosso mundo está cheio! Viva a autenticidade. Viva aquilo que quebra limites, vai além do esperado. Para ser feliz, você não precisa saber de todas as teorias e fórmulas matemáticas. Você precisa querer enxergar além do que você é, do que as pessoas são, do que é colocado na frente de seus olhos.

A escola não nos ensina a encarar a vida, a enxergar o mundo, a sermos melhores. Isso nós temos que correr atrás. Não ter interesse em Geografia, Inglês, Física, tudo bem. Você não vai morrer por causa disso. Mas não ter interesse em saber sobre si mesmo e sobre o mundo no qual você habita é morte na certa. Vamos quebrar as paredes das salas de aula, vamos rasgar os boletins e vamos pensar que escola não é fundamental para ser uma pessoa íntegra. Escola é complemento e até onde eu sei, o verbo viver é transitivo e intransitivo, ou seja, não é toda hora que ele precisa de um complemento, não é toda hora que ele precisa de regras e de limites. Uma última coisa: Veja o mundo com os seus próprios olhos, não com o olhar que a escola tenta inserir em você. Porque até onde eu sei, esse olhar está muito ultrapassado. ''

1 comentários:

Zerfas at: 8 de julho de 2014 10:17 disse...

Ela esta certa ... porém ainda não conseguimos fazer algo melhor e em massa que dê certo. Ensinar em museus e praças ainda é coisa pra poucos. Romper com o dogma do ensino escolar e formal é mais que preciso, assim como é preciso que se faça os alunos quererem pensar além do que se fala... Quando um professor, as vezes, tenta isso é criticado pelos próprios alunos que ainda querem mais do mesmo.. perguntas com respostas e nada além disso. Aulas interdisciplinares e multidisciplinares com discussões abertas é algo pouco comum e pouco viável nesta escola que temos hoje, mais prisão que um ambiente congregacional ... Mas qual é o espaço libertador da aprendizagem ? o computador? a casa? a praça? Estamos buscando algo ainda não construído para desconstruir o que temos

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