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23 de mar de 2015

BIBLIOTECA BOMBARDEADA


Holland House, Kensington, London, 1940

Essa leitura tem uma imagem. Uma fotografia tirada em 1940, durante o bombardeio de Londres na Segunda Guerra Mundial, mostra os restos de uma biblioteca desmoronada. Pelo teto destruído vêem-se prédios fantasmagóricos do lado de fora, e , no centro da peça, há uma pilha de vigas e móveis em pedaços. Mas as estantes na parede ficaram  firmes e os livros parecem inteiros. Três homens encontram-se  no meio dos destroços: um, como se hesitasse sobre qual livro escolher, está aparentemente lendo os títulos nas lombadas; outro, de óculos, está pegando um volume; o terceiro está lendo, segurando um livro aberto nas mãos. Eles não estão dando as costas para a guerra, nem ignorando a destruição. Não estão escolhendo os livros em vez da vida lá fora. Estão tentando persistir contra as adversidades óbvias; estão afirmando um direito comum de perguntar; estão tentando encontrar uma vez mais - entre as ruínas, no reconhecimento surpreendente que a leitura às vezes concede - uma compreensão. 

Alberto Manguel no livro "Uma História da Leitura" (Companhia das Letras, 1997, página 338). 

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